O radical livre

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Sinal de Menos #7

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Um dos motivos do silêncio do blog nos últimos tempos, a edição #7 da revista Sinal de Menos acaba de ser lançada, e pode ser baixada em www.sinaldemenos.org. Seguem a capa e o conteúdo desta edição.

[-] Sumário #7

Editorial

Artigos

Malthus reloaded?
A produção de alimentos na encruzilhada da história
Daniel Cunha

Dialética da natureza e objetivismo
Maurílio Lima Botelho

Marcuse e a questão do trabalho
Joelton Nascimento

Sujeito e modernidade
A revolução urbana e o maio de 68 na França
Gláuber Lopes Xavier

Gênero e trabalho revisitados
O trabalho doméstico hoje sob as lentes de Helena Hirata e Roswitha Scholz
Íris Nery do Carmo

O spleen da cidade sitiada
Esquema de “Tableaux parisiens”, “Révolte” e “La mort”
Cláudio R. Duarte

Traduções literárias

Esboço de um epílogo para a segunda edição das “Flores do Mal”
Charles Baudelaire

Written by sinaldemenos

setembro 1, 2011 at 11:59 pm

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Breivik: entre a loucura e a razão

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Pouco esclarece o que aconteceu na noruega considerar o autor dos ataques terrorista como um mero louco. Breivik é louco, mas de uma loucura socialmente produzida, e seus atos levaram ao limite uma tendência forte em tempos de crise do capital – a tendência fascista. Não por acaso, o norueguês citou em seus diários o político holandês Geert Wilders, que apoia o atual governo daquele país (e assim viabiliza um governo de direita, o que não acontecia há várias décadas). Morei dois anos na Holanda (2008-2010) e sei algumas coisas sobre o que lá se passa. Seu partido, o PVV (Partido da Liberdade) não possui filiados, apenas o comando do führer Wilders, a quem todos devem obedecer. Em seu programa de governo para as últimas eleições nacionais, propôs-se a defender “Henk en Ingrid” (João e Maria, os “cidadãos comuns”) contra os perigos da “islamização”, e foi o grande vitorioso. Por trás deste discurso proto-fascista está o fantasma da crise do capital – o medo da perda de direitos, aliado à falta de alternativas emancipatórias. Na falta do sonho comunista, prevalece o pesadelo fascista. Não é de se duvidar que a loucura aumente.

Written by sinaldemenos

julho 28, 2011 at 2:28 am

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Revolução solar

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Já escrevi sobre energia solar, no contexto do festejado pré-sal, em artigo na revista Sinal de Menos #4 entitulado “Queimando o futuro?”. Com a iminente exaustão das reservas de petróleo, a conversão da base energética é essencial não só do ponto de vista da reprodução das forças produtivas, mas também tem importância estratégica para movimentos sociais, devido ao seu potencial de descentralização e uso por formas embrionárias anticapitalistas. Com a energia solar descentralizada, estas formas embrionárias podem ter acesso direto à energia, sem depender dos trustes empresariais e estatais que dominam a geração de energia centralizada em grande escala.

Um novo avanço tecnológico da chamada “eletrônica flexível” (flexible electronics), ainda em estágio de laboratório, promete potencializar ainda mais a energia solar. Trata-se de uma espécie de “papel solar”, ou seja, ao invés dos já conhecidos painéis, um circuito impresso flexível e dobrável – e muito mais barato, já que o substrato pode ser papel comum. Abaixo vídeo mostrando um avião de papel com propriedade fotovoltaica. Isto, em tese, permitiria o desenvolvimento de cortinas e papéis de parede fotovoltaicos ou ferramentas e máquinas com a sua fonte energética solar já incorporada. O artigo onde a pesquisa está descrita está aqui (em inglês).

Difícil prever quando a descoberta poderá ser produzida em escala – 5, 10, 20 anos? – mas se a função da tecnologia é “manter as portas da revolução abertas para sempre”, como dizia Murray Bookchin, então elas estão ficando escancaradas. Só não podemos destruir o planeta antes.

 

Written by sinaldemenos

julho 23, 2011 at 6:01 pm

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Agricultura do futuro?

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Um dos temas que desenvolverei em meu texto na próxima edição da revista Sinal de Menos é a agricultura urbana. Destaco aqui dois projetos, um em Porto Alegre e outro em Chicago.

Em Poa, o movimento Utopia e Luta desenvolveu uma fazenda hidropônica no terraço do prédio ocupado, na Avenida Borges de Medeiros, pleno centro de Porto Alegre. A hidroponia permite o cultivo de alimentos em meio líquido, sem solo. O grupo está promovendo oficinas gratuitas de hidroponia às quartas à noite e sábado pela manhã. Abaixo foto do local.

Em Chicago, o projeto Plant Chicago está transformando uma fábrica abandonada em uma fazenda urbana, com produção de alimentos, peixes e cerveja, produzindo inclusive a própria energia em um biodigestor, e prentendendo fechar ao máximo os ciclos de massa e energia (diagrama abaixo). Neste momento há uma campanha para levantar fundos para um documentário sobre o projeto. Ver o vídeo abaixo.

Ainda que não isentos de contradições (a hidroponia do Utopia e Luta foi financiada pela Petrobras, multinacional do petróleo), são duas experiências que apontam uma relação com o alimento diferente daquela imposta pela agroindústria globalizada. Uma análise mais profunda sobre estes e outros assuntos relacionados à produção de alimentos constará de meu texto na próxima edição da revista Sinal de Menos.

Written by sinaldemenos

julho 14, 2011 at 11:54 pm

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Utopia e Luta chama manifestação

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O grupo Utopia e Luta, que ocupa prédio na Borges de Medeiros e, entre outras coisas, começou a praticar a agricultura urbana comunitária (hidroponia) no terraço do prédio, está chamando manifestação contra a atuação de grupos de extrema direita na cidade. Segundo os integrantes do movimento, a sede da comunidade vem sofrendo com pichações nazistas e outras demonstrações de hostilidade.


Nanci Araujo e Eduardo Solari, integrantes do Utopia e Luta, cantam a bandeira negra anarquista:

Written by sinaldemenos

julho 7, 2011 at 3:19 pm

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A crise riograndense e a crise grega

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A crise riograndense e a crise grega
O emplastro Brás Cubas de Tarso Genro

Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Brás Cubas

Daniel Cunha

O PACOTARSO entra para a história como mais uma traição cometida pela esquerda partidária contra os trabalhadores. Para enfrentar o déficit na previdência, o governador do PT resolveu promover um confisco contra aqueles poucos assalariados do serviço público estadual que (ainda) recebem um salário decente. Medidas ainda possíveis no âmbito estatal, como uma nova matriz tributária, não foram sequer consideradas. Rever incentivos fiscais e partir para a luta de classes com a burguesia riograndense está fora de questão para esta “esquerda” que torna a direita supérflua.

Interessantíssimas são as justificativas dos algozes. “O Rio Grande do Sul afastou, com essa decisão, que se instale uma crise grega”, diz Tarso.  É de se perguntar como um déficit  de 5 bilhões pode ser revolvido com um confisco de 200 milhões. Provavelmente este foi apenas o primeiro passo e coisas piores virão. Tarso e o PT parecem ter aplicado a velha técnica de Brás Cubas: o emplastro contra a hipocondria. Ora, já que a Grécia está em crise porque os trabalhadores se recusam a pagar uma conta que não é sua e vão às ruas protestar,  a solução é simples: confisquemos os trabalhadores por antecipação; assim não haverá crise!

Esta é mais uma demonstração de que a “esquerda” pelega é mais competente do que a direita para executar o serviço sujo contra os trabalhadores. Se Yeda tentasse aprovar um pacote semelhante, não conseguiria. De resto, a menção de Tarso à Grécia não é de todo absurda. A espiral decrescente do capitalismo fim de linha globalizado exige que todos se sacrifiquem mais para manter o sistema em pé. Preferível, porém, uma crise movida pela dignidade dos trabalhadores em luta do que “evitar” a crise sangrando-os, aos poucos, por antecipação.

Trotsky mandando fuzilar como faisões os marinheiros de Kronstadt é o símbolo maior das recorrentes traições, cujas raízes estão na própria estrutura dos partidos ditos dos “trabalhadores”: são aparelhos de poder à imagem e semelhança do capital. Somente os trabalhadores auto-organizados para além de partidos e sindicatos burocratizados podem resistir à onda de perda de direitos que virá. Do contrário, teremos que novamente ouvir impotentes um petista como Raul Pont dizer que está confiscando os trabalhadores em nome do socialismo.

Written by sinaldemenos

junho 30, 2011 at 10:52 pm

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O radical livre

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Ser radical, na tradição marxista, é tomar as coisas pela raiz. Na química, radical livre é uma molécula ou átomo que possui elétrons de valência desemparelhados e, portanto, é altamente reativo. O radical livre desestabiliza, abre, rompe. “Livre” aqui remete tanto às experiências das lutas autônomas dos trabalhadores, sem vanguarda e sem partido, quanto à crítica teórica praticada por marxistas heterodoxos como Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Guy Debord, Robert Kurz e outros, bem como pelo próprio Marx após a Comuna de Paris, que para ele era “a forma finalmente descoberta sob a qual a liberação econômica da classe trabalhadora deveria realizar-se”. Neste blog serão publicadas as minhas notas críticas sobre o capitalismo fim de linha do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, buscando sempre a perspectiva radical e libertária que desestabiliza o tecido da dominação capitalista.

Written by sinaldemenos

junho 30, 2011 at 1:32 pm

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