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A crise riograndense e a crise grega

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A crise riograndense e a crise grega
O emplastro Brás Cubas de Tarso Genro

Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Brás Cubas

Daniel Cunha

O PACOTARSO entra para a história como mais uma traição cometida pela esquerda partidária contra os trabalhadores. Para enfrentar o déficit na previdência, o governador do PT resolveu promover um confisco contra aqueles poucos assalariados do serviço público estadual que (ainda) recebem um salário decente. Medidas ainda possíveis no âmbito estatal, como uma nova matriz tributária, não foram sequer consideradas. Rever incentivos fiscais e partir para a luta de classes com a burguesia riograndense está fora de questão para esta “esquerda” que torna a direita supérflua.

Interessantíssimas são as justificativas dos algozes. “O Rio Grande do Sul afastou, com essa decisão, que se instale uma crise grega”, diz Tarso.  É de se perguntar como um déficit  de 5 bilhões pode ser revolvido com um confisco de 200 milhões. Provavelmente este foi apenas o primeiro passo e coisas piores virão. Tarso e o PT parecem ter aplicado a velha técnica de Brás Cubas: o emplastro contra a hipocondria. Ora, já que a Grécia está em crise porque os trabalhadores se recusam a pagar uma conta que não é sua e vão às ruas protestar,  a solução é simples: confisquemos os trabalhadores por antecipação; assim não haverá crise!

Esta é mais uma demonstração de que a “esquerda” pelega é mais competente do que a direita para executar o serviço sujo contra os trabalhadores. Se Yeda tentasse aprovar um pacote semelhante, não conseguiria. De resto, a menção de Tarso à Grécia não é de todo absurda. A espiral decrescente do capitalismo fim de linha globalizado exige que todos se sacrifiquem mais para manter o sistema em pé. Preferível, porém, uma crise movida pela dignidade dos trabalhadores em luta do que “evitar” a crise sangrando-os, aos poucos, por antecipação.

Trotsky mandando fuzilar como faisões os marinheiros de Kronstadt é o símbolo maior das recorrentes traições, cujas raízes estão na própria estrutura dos partidos ditos dos “trabalhadores”: são aparelhos de poder à imagem e semelhança do capital. Somente os trabalhadores auto-organizados para além de partidos e sindicatos burocratizados podem resistir à onda de perda de direitos que virá. Do contrário, teremos que novamente ouvir impotentes um petista como Raul Pont dizer que está confiscando os trabalhadores em nome do socialismo.

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Written by sinaldemenos

junho 30, 2011 at 10:52 pm

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O radical livre

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Ser radical, na tradição marxista, é tomar as coisas pela raiz. Na química, radical livre é uma molécula ou átomo que possui elétrons de valência desemparelhados e, portanto, é altamente reativo. O radical livre desestabiliza, abre, rompe. “Livre” aqui remete tanto às experiências das lutas autônomas dos trabalhadores, sem vanguarda e sem partido, quanto à crítica teórica praticada por marxistas heterodoxos como Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Guy Debord, Robert Kurz e outros, bem como pelo próprio Marx após a Comuna de Paris, que para ele era “a forma finalmente descoberta sob a qual a liberação econômica da classe trabalhadora deveria realizar-se”. Neste blog serão publicadas as minhas notas críticas sobre o capitalismo fim de linha do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, buscando sempre a perspectiva radical e libertária que desestabiliza o tecido da dominação capitalista.

Written by sinaldemenos

junho 30, 2011 at 1:32 pm

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